Por Karine Daufenbach
No ano de 1953 Hans Broos, deixa a Alemanha com destino ao Brasil. Nascido em 1921, mas com sólida formação e considerável prática projetual, o então jovem arquiteto Broos já participava de importantes projetos em seu país e dava início a sua carreira como autônomo. Os motivos para sua emigração nunca foram, de fato, expostos claramente. Sabe-se, naqueles anos, a Alemanha ainda não havia se livrado totalmente dos escombros da Segunda Guerra, e que as encomendas destes primeiros anos eram em grande parte reconstruções de edifícios e de conjuntos urbanos (1). Talvez seja justamente esta situação que o estimulou a vir ao Brasil: “não queria mais só olhar para o passado, mas para o futuro” (2). Espírito irrequieto e pronto a desafios, Broos nos esclarece: “as notícias chegadas sobre a arquitetura brasileira foram tão convincentes que decidi trabalhar no Brasil” (3). O Brasil representava um campo ilimitado de trabalho e criatividade, como frisa constantemente o arquiteto em seus escritos. Era a imagem da liberdade projetual e de um mundo a ser construído, contraposta à noção de limitação projetual em um combalido ambiente a ser reconstruído.
Em seus 50 anos de atividade no Brasil, o arquiteto projetou centenas de obras, dentre elas, casos exemplares dentro do cenário arquitetônico brasileiro. Entretanto, o arquiteto permaneceu à margem da historiografia nacional, salvo raras exceções (4), o que o torna, malgrado a qualidade de sua obra e os inúmeros prêmios que recebeu, não mais que um “ilustre desconhecido” entre nós.
Formado pela Universidade de Braunschweig em 1947, Broos trabalhou com dois grandes nomes da arquitetura alemã do pós-guerra: Friedrich Wilhelm Kraemer (1907-1990), seu professor em Braunschweig, com quem trabalhou também depois de formado, e Egon Eiermann (1904-1970), arquiteto que, ao lado de Hans Scharoun, é considerado uma das figuras mais marcantes do cenário arquitetônico alemão dos anos 1960 (5). Ao lado de Kraemer, Broos colaborou em diversos projetos, entre novos e de reconstrução de edifícios e conjuntos urbanos na arrasada cidade de Braunschweig. Já com Egon Eiermann, então em plena ascensão profissional, professor da Universidade de Karlsruhe a partir de 1947, Broos colabora em projetos de maior porte, dentre eles a Indústria Têxtil de Blumberg (1949-1951), a Rádio de Stuttgart (1948-1951) e a Usina Experimental da Universidade de Karlsruhe (1951-1956); arquiteto por quem Broos nutre profunda admiração, com quem diz ter tido seus anos de formação, que se revela também em uma visível influência em sua obra.
Indústria Têxtil Blumberg, Blumberg (Baden), Alemanha, 1949-1951. Arquiteto Egon Eiermann
Foto Eberhard Troeger [SAAI Karlsruhe]
Residência Gustav Abel. Gernsbach, Alemanha, 1951-1952. Arquiteto Hans Broos [Arquivo do arquiteto] Igreja de Itoupava Seca, Blumenau, 1954. Arquiteto Hans Broos [Arquivo do arquiteto] Igreja de Itoupava Seca. Planta Baixa Residência Wittich Paul Hering, Blumenau, 1955. Arquiteto Hans Broos [Arquivo do arquiteto] Residência Wittich Paul Hering. Planta Baixa Residência Carlos Curt Zadrozny, Blumenau, 1960. Arquiteto Hans Broos [Arquivo do arquiteto] Residência Carlos Curt Zadrozny. Corte Longitudinal Unidade Matriz da Indústria Têxtil Hering, antigo e novo edifício da Costura, Blumenau, 1968-1975. Arquiteto Hans Broos Hering Matriz de Blumenau – Novo Edifício da Costura. Corte Longitudinal Unidade Matriz da Indústria Têxtil Hering, edifício da Malharia, Blumenau, 1968-1975. Arquiteto Hans Broos Kaiser Wilhelm-Gedächtniskirche, Berlim, 1957-1963. Arquiteto Egon Eiermann Igreja e Centro Paroquial São Bonifácio, São Paulo, 1966. Arquiteto Hans Broos Igreja e Centro Paroquial São Bonifácio. Corte Longitudinal (sem escala) [Acervo do arquiteto] Residência Jan Rabe, projeto, Blumenau, 1968. Arquiteto Hans Broos [Arquivo do arquiteto] Mosteiro de São Bento, edifício com modificações na fachada, Vinhedo, 1971. Arquiteto Hans Broos Mosteiro de São Bento. Corte Transversal Abadia de Santa Maria, São Paulo, 1975. Arquiteto Hans Broos _______________________________________________________________ SOBRE O AUTOR Karine Daufenbach é arquiteta pela Universidade Federal de Santa Catarina, em 2003, e mestre em Teoria e Projeto pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É co-autora do livro Desenho universal nas escolas: acessibilidade na rede municipal de ensino de Florianópolis (2004). Orientada pelo professor Paulo Bruna, é doutoranda em História e Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo pela FAU USP, dando seqüência ao estudo da obra de Hans Broos. VEJA MAIS EM: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/10.123/3530
Desenho Karine Daufenbach
Desenho Karine Daufenbach
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Foto Karine Daufenbach
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